segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Um textin meu na facul!!!!!!


Teoria Crítica no Direito: Superando Limitações

Jordanna Monteiro Sant’ Ana e Siqueira1

Palavras-chave:

Antinomia natureza/história, AJUP (Acessoria Jurídica Universitária Popular), Conhecimento, Criticismo Kantiano, Dialética, Dialética Hegeliana, Dialética Negativa, Eficácia, Emancipação, Escola de Frankfurt, Jusnaturalismo, Materialismo Histórico, Paradigmas, Positivismo, Postura Elitista, Prática Política, Práxis Social, Racionalismo, Subjetivismo Psicanalítico Freudiano.

Resumo:

O texto a seguir trata sobre a Teoria Crítica, sua natureza, surgimento, objetivo e método. Em seguida insere a dita teoria na seara jurídica (em que período se deu e quais seus principais precursores no Brasil) para, então, tratar de suas limitações e a nossa opinião a respeito da superação das mesmas.

Tentamos fazê-lo da maneira mais breve e de fácil entendimento possível, baseados metodologicamente em Foucault, buscando na origem (arqueologia) do problema a sua solução. Esperamos que tenhamos alcançado nosso intento, e deixamos a disposição de futuras a análises e críticas.

1- Introdução:

Ao longo os séculos, a racionalidade vem sendo posta como a única possível salvadora da sociedade. Mas o que vemos é que ela não mais responde à complexidade dos conflitos contemporâneos. Como bem nos fala Wolkmer:


Os paradigmas que produziram um ethos, marcado pelo idealismo individual, pelo racionalismo liberal e pelo formalismo positivista, bem como os que os mantiveram a logicidade do discurso filosófico, científico e jurídico, têm sua racionalidade questionada e substituída por novos modelos de referência. (WOLKMER, 2001, p. 02)


A heterogeneidade socioeconômica exige uma nova fundamentação filosófica para as questões do mundo jurídico. O debate bizantino entre Jusnaturalismo (Racionalismo metafísico-natural) e Positivismo (Racionalismo lógico-instrumental) não satisfaz às necessidades emergentes, onde o que impera é a sociedade do capital, onde a carne humana é mais barata que outra qualquer, onde alguns homens lucram sobre o sangue de outros, onde a desesperança e a miséria são parte do cotidiano de grande maioria da população mundial.


Nesta sociedade, em que o Imperium do Estado, no que diz respeito ao Direito, não alcança (nem tem interesse nesse feito) as periferias e favelas, deixando-os a mercê de grupos mafiosos organizados eu fazem suas próprias leis, é hipocrisia falar em equilíbrio ou estabilidade social e negar a urgência na revisão das bases epistemológicas.

É nesse contexto propício que surge o debate acerca da Teoria Crítica no Direito e sua aplicabilidade. Nós tentaremos de maneira breve, porém clara, elucidar o que vem a ser a Teoria Crítica, como se deu/dá sua inserção no Direito, quais as suas limitações e como superá-las.

Para tanto, buscaremos na arqueologia do problema as suas possíveis soluções, como previu Foucault em seu método de análise, e ao final queremos ter a certeza ímpar de que foi luminarmente verificado o nosso objetivo inicial.

2- Sobre a Teoria Crítica:

2.1: A Escola de Frankfurt
É imprescindível que falemos a respeito da Escola de Frankfurt, onde se ouviu falar pela primeira vez em Teoria Crítica.

O pensamento frankfurtiano representa o quinto momento filosófico alemão, (1o foi o Idealismo Clássico de Kant, 2o foi o Materialismo Histórico de Marx, 3o foi o pessimismo de Nietzsche e o 4o foi o Ecletismo de Hartman), é liderado por F. Weil, M. Horkheimer, T. Adorno, H. Marcuse, J. Habermas entre outros.

A “Escola” oficialmente chamada de Instituts fur Sozialforschun, Instituto de Pesquisa Social, fundada em 22 de junho de 1924 no auditório da Universidade de Frankfurt, que tinha o objetivo, como o próprio nome mostra, de pesquisar a sociedade em todos os seus setores. Desde a economia, embarcando na cultura até os mecanismos políticos de organização.

Para alcançar tal propósito, desenvolveram um método de estudo que fundia o “criticismo kantiano, passando pela dialética hegeliana, pelo subjetivismo psicanalítico freudiano e culminando na reinterpretação do materialismo histórico marxista” (Id., p. 06). Ou seja, o criticismo, na Teoria, assume o sentido que Marx empregava, “discurso revelador e desmistificador das ideologias ocultadas que projetam os fenômenos de forma distorcida” (MARX apud CORREAS, 1995, p. 276) como bem prelecionou Oscar Correas. Este criticismo revelador somado à dialética negativa, à análise constante e interna e, por fim, ao estudo da humanidade através dos seus sistemas de produção e mecanismos de apropriação do capital é que tornaria possível o entendimento da sociedade como um todo.

Feita esta rápida explicação sobre a Escola de Frankfurt surge a questão: e o que é a Teoria Crítica, a que ela se destina?

2.2 A Teoria Crítica em si e seus objetivos.
A Teoria Crítica seria o:


Instrumental pedagógico operante (teórico-prático) que permite a sujeitos inertes e mitificados uma tomada de consciência, desencadeando processos que conduzem à formação de agentes sociais possuidores de uma concepção de mundo racionalizada, antidogmática, participativa e transformadora. Trata-se de proposta que não parte de abstrações, de um a priori dado, da elaboração mental pura e simples, mas da experiência histórico-concreta, da prática cotidiana insurgente, dos conflitos e das interações sociais e das necessidades humanas essenciais. (WOLKMER, 2001, p. 05)


Destina-se pura e simplesmente à emancipação que é segundo Celso Nunes “libertação de toda forma de alienação e erro, de toda submissão, engodo, falácia ou pensamento colonizado, incapaz de esclarecer os processos materiais, culturais e políticos” (NUNES, 2003, p. 35). Esse processo de libertação leva tempo e esforço. A análise crítica da sociedade nos leva ao nosso próprio mundo, põe em xeque nossas convicções, ideologias e argumentos. Segundo o professor Pedro Demo,


O conhecimento do senso comum, embora não possa ser visto apenas como descartável ou desprezível (constitui-se de todas as formas no modo corrente de conhecer da maioria das pessoas), é facilmente crédulo, porque não se detém em desconstruir o que percebe ou diz. Não sabe pensar, já que, quem não sabe pensar, acredita no que pensa; mas quem sabe pensar, questiona o que pensa. Abandona a autoridade do argumento e prefere o argumento de autoridade, dedicando-se a argumentar, fundamentar, elaborar. É próprio do conhecimento mais profundo questionar – seu primeiro ímpeto é desconstrutivo, porque parte para duvidar do que vê ou ouve, não se resigna a simplesmente aceitar. (DEMO, 2004, p. 23).


completando com o professor Paulo Freire que aduz que


Crítico é aquele conhecimento que não é dogmático, nem permanente, (mas) que existe num processo contínuo de fazer-se a si próprio. E, segundo a posição de que não existe conhecimento sem práxis, o conhecimento crítico seria aquele relacionado com um certo tipo de ação que resulta na transformação da realidade. Somente uma “teoria crítica” pode resultar na libertação do ser humano, pois não existe transformação da realidade sem a libertação do ser humano. (FREIRE apud PELUSO, 1994, p. 44)




Ou seja, qualquer Teoria Crítica se destina a fazer dos cidadãos agentes capazes de sua mudança, em todos os segmentos da sociedade temos a Teoria Crítica; educação, filosofia, política, economia. Mas por questões de delimitação, tratemos da Teoria Crítica no Direito.

3- Teoria Crítica e sua inserção no Direito:

Não há consenso ainda de quando a Teoria apareceu no Direito. Para Wolkmer foi ao final dos anos 1960, graças à contribuição de pensadores europeus que estudavam de maneira não tradicional, já para Warat e Pepe esse processo se dá a partir da década de 1970 na França. O fato é que no Brasil os principais contribuidores para uma visão crítica do Direito foram Roberto Lyra Filho, Tercio Sampaio Ferraz Júnior, Luis Fernando Coelho e Luiz Alberto Warat desde os anos 1980.

Mas com que intuito uma Teoria Crítica no Direito? Na nossa introdução falamos a respeito de dois mecanismos de legitimação: O Jusnaturalismo e o Positivismo.

O Jusnaturalismo seria a idéia de que são inatos aos seres humanos direitos como a vida, dignidade e outros, mesmo que o Estado não os tivesse por escrito; já para os positivistas, as garantias dos cidadãos são aquelas pré-estabelecidas na Constituição ou nos códigos, sendo para isso, necessária a tutela do Estado na condição de garantidor desses direitos.

O que se vê, ao contrário, é que nenhuma das duas teorias responde aos complexos conflitos da pós-modernidade. E nesse ínterim a Teoria Crítica vem a preencher as lacunas das anteriores, sendo seus objetivos principais elucidados por Warat, a saber:

a) Mostrar os meios que tornam o discurso jurídico um conjunto de teoremas cultuados.

b) Denunciar que a utópica idéia de primazia das leis está atrelada às funções manipuladoras do Estado e sua ideologia burguês-liberal.

c) Demonstrar que a desvirtuação dos movimentos sociais, feita pelos veículos de manipulação de massa, tem o intuito de provar que eles podem, facilmente, ser harmonizados pelo Direito vigente.

d) Superar os debates retrógrados que põem o Direito destinado à conciliação de interesses individuais e garantir as vontades gerais. A teoria Crítica sugere repor ao Direito sua essência eminentemente social.

e) Diferenciar “operadores” de “construtores” do Direito, tornando a prática participativa o tema do dia em matéria de discussão jurídica.

f) Expandir os horizontes acadêmicos acerca de métodos de pesquisa, tratando as bases epistemológicas vigentes com criticidade, mencionando suas contradições e seus efeitos ideológicos.

g) Corroborar para uma mudança de pensamento nas escolas de Direito, trazendo à tona os debates sobre vínculos do Direito e relações de poder bem como o papel dos estudantes na propugnação de novas idéias. (WARAT, s. d.)

A Teoria Crítica vem para destruir dogmatismos, pseudoconceitos e legitimações fundadas no Direito de poucos em detrimento da maioria, e para não incorrer nos mesmos erros de outras teorias, traz a si mesma críticas bastante pertinentes.

4- Teoria Crítica, suas limitações e superações:

Mesmo apreciando as contribuições da Teoria Crítica na atualidade, não podemos nos abster de fazer algumas considerações importantes sobre seu escopo fundamental.

De um modo generalizado as principais críticas ao pensamento frankfurtiano assinalam ambigüidades em temas como: “a natureza/história, a dialética negativa, a postura elitista e a pouca eficácia enquanto prática política” (WOLKMER, 2001, p. 13), vamos discordar do ilustríssimo professor Wolkmer e a seguir desconstruir uma a uma as críticas oferecidas.

4.1 A antinomia natureza/história
Ao longo deste artigo foi falado a respeito de Marx e do materialismo histórico (método de análise que leva em conta os sistemas de produção e apropriação de capital dos homens ao longo dos tempos). Como todo bom judeu e influenciado pelo Iluminismo, Marx acreditava que a natureza estava à disposição dos seres humanos, que não faziam parte do todo. Ao homem, caberia a tarefa de se apropriar da natureza, adaptando-a às suas necessidades.

A crítica seria como conciliar homem e natureza se a história mostra que esta tem sido fator condicionante da produção daquele? Em nossos tempos, é ultrapassado falarmos em superação, pois sabemos que homem e natureza não se separam e que não podemos dispor dos bens naturais sem pensar nas conseqüências. Hoje se fala em desenvolvimento sustentável, conceito inexistente em tempos de Marx.

4.2 A Dialética Negativa
Segundo Hegel, dialético seria aquele pensamento em que se contraporia a tese, a antítese para chegarmos à síntese. Mas para os críticos não podemos parar de questionar os conceitos, ficando um eterno conflito de teses e antíteses, ou seja, dialética negativa.

O que querem é uma verdade inteira, síntese. Mas em se tratando de seres humanos não podemos cair na mesmice de estabelecer dogmas, verdades sacralizadas para os que estão por vir. As sociedades evoluem (ou involuem) e o que se aplicava anteriormente não tem mais utilidade. A Teoria Crítica intenta não praticar os mesmos erros das antecedentes, dando o caráter modificador àqueles que a utilizam em qualquer tempo.

4.3 Postura Elitista
Os principais autores da teoria crítica mantiveram-se afastados do meio social popular, o Instituto de Pesquisa Social na ânsia de provar que havia possibilidade de aplicação de suas teorias, manteve um discurso prolixo e distante das classes mais pobres, assumindo uma postura academicista sem fins de extensão.

A verdade é que eles tinham o propósito de pesquisar sobre tudo, mas não de se engajar socialmente. Mas tomando a Teoria Crítica como fundamento epistemológico, é necessária uma aproximação entre texto e contexto, linhas e entrelinhas das tese e antítese.

4.4 Pouca Eficácia enquanto Prática Política
A Escola de Frankfurt não mostrou o binômio teoria-práxis (que sabemos inseparável), justamente pelo fato de ter assumido uma postura elitista e de ter se distanciado dos focos sociais carentes da Teoria, o pensamento frankfurtiano falhou no que se refere à práxis social. O binômio, como já ficou claro é inseparável, e é o que se apreende das lições de Paulo Freire, Wolkmer e Warat.

Afirmar que Teoria Crítica não tem aplicabilidade é uma falácia. Se assim fosse, como explicar a atuação das AJUP’s (Acessorias Jurídicas Universitárias Populares) no Brasil? Grupos como o SAJU, o NAJUC, o Isa Cunha, o Negro Cosme, o CAJUÍNA, o P@JE que são projetos de extensão de faculdades de Direito tentando desconstruir esse conceito de Direito posto e positivado, que se engajaram social e politicamente nos meios mais carentes e que lutam pela afirmação dos movimentos sociais como ao verdadeiros movimentadores do Direito, (Além das AJUP’s há também os conselhos de bairro, as associações de moradores, os tribunais populares, os conselhos de arbitragem, a RENAP ‘Rede Nacional de Advogados Populares’ entre tantos outros, que aos poucos ganham espaço e provam que esse Direito, chamado de alternativo, pode ser a possibilidade de uma aproximação com o povo e um veículo de diminuição das disparidades sociais), mostram que há aplicabilidade na crítica jurídica e que dizer o contrário é uma postura falaciosa daqueles que têm seus interesses vinculados ao interesse do capital.

5- Considerações Finais:

Ao longo do estudo, esclarecemos o que é a Teoria Crítica, como se deu/dá sua inserção no Direito, suas limitações e como superá-las. Esperamos que tenhamos contribuído para uma expansão nos horizontes dos que possam ter tido em mãos este trabalho.

É válido relembrar que a Teoria Crítica pode ser levada a efeito em todos os segmentos sociais, mas que por questões de delimitação nos prendemos ao seio jurídico.

Em tempos como os nossos, a crítica surge como uma opção sem preferência por cor, credo, opção sexual ou saldo bancário. Cabe, agora, a todos que podemos fazer algo, fazermos. Desde coisas simples como discussões em sala, até posturas mais engajadas como revisão de conceitos e atuação social.

O trabalho, como já foi dito, é árduo e exige muito esforço. Lidar com os paradigmas é rever toda a base filosófica da nossa sociedade, mas não podemos nos abster de lutar, nem tampouco deixar de crer que é possível, pois como o ilustríssimo Paulo Freire nos ensinou, “não é, porém, a esperança o ato de cruzar os braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto, e, se luto, com esperança espero”. (FREIRE, s. d.)


1- Artigo apresentado à disciplina de Redação Científica no curso de Letras da Universidade Regional do Cariri - URCA pela estudante do segundo período de Direito da mesma IES. Crato, 21 de Agosto de 2007.





Referências Bibliográficas:

Correas, Oscar. Teoría del Derecho. Barcelona: Bosh, 1995.

Demo, Pedro. Professor do Futuro e Reconstrução do Conhecimento, 2a ed. Petrópolis: Sophos, 2004.

Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 17a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

Peluso, Luis. O Projeto da Modernidade do Brasil. Campinas: Papirus, 1994.

Nunes, Celso. Educar para emancipação. Florianópolis: Sophos, 2003.

Warat, Luis Alberto. A Pureza do Poder. Florianópolis: Ed. UFSC, 1983.

Wolkmer, Antonio Carlos. Introdução ao Pensamento Jurídico Crítico, 3a ed. São Paulo: Saraiva, 2001.














quarta-feira, 4 de abril de 2007


"A esperança é um filho ainda não nascido, só prometido, e isso machuca." Clarisse Lispector. Analisemos essa frase... Filho ainda não nascido???? Como assim???? Longe de mim querer discordar da eterna Clarisse, mas como um filho ainda não nascido pode gerar tantos outros filhos???? Talvez não-nascido porque seja silencioso, talvez por estar envolto em camadas de névoa que nos remetem a mundos longínquos e ilusórios!!! Mundos distantes que nos dão as falsas verdades de que compomos nosso ser, de que nos tornamos seguros de nós. Sim porque é muito mais fácil fingir a não existência de algo que nos incomoda do que ter de lidar com ela... Mas se a esperança não nasceu, o que explica o fato de uma senhora que mora no alto da favela saber que seu dia será igual a todos e que ela terá de trabalhar o dia todo como uma escrava, pra no final dele receber uma remuneração fingida (ilusão de quem acha que ta recebendo e de quem acha que ta pagando) e apesar de saber de tudo isso ela, ainda, se levantar todos os dias e continuar lutando???? O que faz alguém que sofreu um tiro de bala perdida e está paraplégico sair de sua casa atravessando todos os obstáculos de uma cidade que não está apta a receber pessoas com necessidades especiais, mas ainda assim ela continuar saindo tentando recuperar seus movimentos???? E outras tantas histórias de sobrevivência...

Quanto ao prometido, bom, aí é o seguinte: a esperança não é uma promessa, promessa é o que é feito em período eleitoral... A esperança é o sentimento que nos tange à mudança, é o que move jovens às ruas, idosos às portas de palácios, crianças aos pais... é o que nos levanta pela manhã, o que nos faz reciclar uma garrafa PETI mesmo sabendo que toneladas de outras estão sendo jogadas em rios, é o que nos faz acreditar que pode ser diferente, que nós podemos mudar e confiar na mudança dos outros... é o que nos torna crentes na humanidade e o que nos faz ser quem somos!!!!! É o que tentamos ensinar a nossos filhos, é... é... tudo isso e muito mais, é ... o elo que nos mantém vivos em sociedade!!!!

E se machuca!?! Bom, a mim não machuca... Porque sei que a mudança não parte da espera... não é esse o significado da palavra esperança, eu termino com uma frase que resume em si todo o significado de meus pensamentos: “...não é, porém a esperança o ato de cruzar os braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e se luto com esperança, espero.” Assim Paulo Freire (incrível Paulo Freire) faz menção à esperança... e se eu sou utópica em acreditar nela, eu prefiro morrer tentando a permitir que meu mundo se já como o mundo existente. A primeira frase de Clarisse não foi muito feliz, mas ela compensa com essa: "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada". Parece até que Chico tava conversando com ela quando pensou que podia morrer de seu próprio veneno. É bem por aí... enquanto isso não vô me abater com a fumaça de óleo diesel e continuo caminhando e cantando e de preferência não seguindo a canção... Nunca fui boa em ritmo mesmo, vô cantando à minha maneira... No meu tempo... inventando a minha canção!!!!!

segunda-feira, 2 de abril de 2007


O dicionário também prega peças

Insiste-se em dizer que o país apresenta um quadro de corrupção crescente, isso é inverossímil e a seguir a explicação.
De acordo com a quarta edição do Minidicionário Aurélio, de Setembro de 2000, corrupção significa ato ou efeito de corromper, decompor. No mesmo dicionário consta que corromper é o mesmo que deteriorar, decompor, alterar. Isso não ocorre ou jamais ocorreu no Brasil, não houve alterações no nosso sistema, a máquina expropriadora, o Estado, é a mesma, a única mudança foi no sentido dos interesses mandantes. Passamos de uma aristocracia agrária da cana para a do café, e desta para uma burguesia industrial que ainda hoje detém nas mãos a direção do país.
Ainda em concordância com o Aurélio, nota-se que decompor significa separar os elementos componentes. Esta é uma prática tão comum no Brasil quanto achar dinheiro e procurar o dono. Os políticos não se separam, muito pelo contrário, eles se unem para “dividir o Brasil em mil brasis e melhor assaltá-lo de ponta à ponta”, como dizia Zé Ramalho. A unidade entre eles chega a ser tocante, percebe-se que quando um deles é descoberto, uma gama de outros “companheiros” cai junta, unidos na alegria e na tristeza, na eleição e na cassação.
Fica claro, portanto, que o termo corrupção é errôneo para o caso brasileiro. Poderíamos utilizar o termo continuação que resume em seu significado a atual prática política. Continuação dos privilégios, continuação das desigualdades, continuação da exploração do trabalhador, enfim, a continuação de pessoas que, como muitas outras, se recusam a tentar mudar esta situação.

sexta-feira, 30 de março de 2007

8 passos para subir na vida


Baseada num texto de um nobre amigo (um leso, conhecido por Simão, vide Terceiro Mundo no Plural), escrevi este:



1- Sempre acredite que pode mais: Essa dica é a primordial, nunca ache que ter uma mansão avaliada em 3 milhões (em dólares, claro, real não vale nada), um carro importado (sempre do ano), uma esposa ou marido rica (o), um (a) amante desejado (a) por todos, e mais algumas casas em cada praia bonita e muito visitada no Brasil e no mundo, ah e é claro uma casa de veraneio nos Alpes suíços (ninguém pode viver bem sem uma dessas) e outras “cositas” mais, necessárias ao bem viver, já bastam. Claro que não, aquele que deseja subir na vida, além de ter tudo isso sempre tem que sentir que ainda falta algo, de preferência que seja roubado de alguém, como, por exemplo, tirar a dignidade das outras classes “inferiores” com aumentos pequenos de 98 % nos salários, enquanto que outros recebem um aumento mais que suficiente de 50 reais (já relembrando que real não vale nada).
2- Mantenha-se no topo: No mundo real vale tudo: matar; roubar; expropriar; fingir; dissimular; manipular; entrar no BBB 8; votar no melhor amigo pra se dar bem (quem precisa de amigos, quando se é rico?); corromper; entre outros. Comece esse exercício logo com os mais próximos, venda as jóias de sua mãe, roube a carteira de seu pai, venda sua irmã à prostituição, faça seu irmão seguir seus passos e por aí vai...
3- Tenha uma boa imagem: Faça com que as pessoas acreditem que você é uma boa pessoa, de verdade. Finja tão bem, que até mesmo você se confunda às vezes, não permita que nem os seus mais íntimos entes (que de preferência sejam poucos, afinal quem quer subir na vida não deve ter muitas pessoas por perto, isso traz mal-agouro) saibam quem é você.
4- Economize sua renda: Essa mania insistente em querer pagar conta em restaurante, conta em mercado, conta da escola das crianças... E outras tantas contas, não leva ninguém ao sucesso, já tem gente trabalhadora e honesta demais nesse país... É muito nobre e tal... Mas não dá dinheiro não é mesmo? Tente não pagar imposto (afinal você não precisa, só anda de jatinho, sua casa está em bairro nobre, seus filhos tem acompanhamento com os melhores tutores do mundo em casa e sua esposa vive na Europa fazendo compras. Se for mulher melhor ainda, pode juntar o dinheiro todo pra você), faça o possível pra não sair com carteira de casa ( vai que aparece aqueles estudantes abutres de universidade pública pedindo dinheiro pra ir pra o Congresso Nacional de num sei que e num sei que das quantas), e evite sempre convidar pessoas pra sair (normalmente quem convida paga, mas se você tiver amigos que bebem, então convide... afinal todo bêbado é rico).
5- Tenha sempre um braço direito: Gente de sucesso tem que ter alguém em quem descontar as angústias... Por exemplo, se seu filho liga pro seu escritório e você já sabe que é pra pedir dinheiro, mande que ele não passe a ligação pra você, como você sabe que seu filho é insistente, o braço direito vai ter que fazer alguma coisa, vai ser mais ou menos assim:
_ Senhor, seu filho deseja ter uma conferência convosco.
_ Ah! Invente que viajei as pressas, sei lá... Faça alguma coisa é pra isso que lhe pago.
_ Sim, senhor. Júnior seu pai viajou a negócios... Não Júnior, não sei quando volta... Eu não tenho autorização.... Um momento – e voltando-se para o chefe – ele quer...
_ Diga que sim e pronto, ora bolas...
_ Júnior, está bem, depositarei em sua conta... – e para o chefe de novo – Ele pediu 3 mil reais para ir a uma viagem com os amigos...
_ E você disse que sim??????
_ Mas o senhor...
_ Ah não! Se eu soubesse que era isso, como você é incompetente... Isso vai sair do seu bolso.
_ Mas senhor eu só recebo 1500.
_ Não tem problema, você é meu amigo, eu divido em suaves prestações...
6- Seja simpático: Ande sorrindo pra vida, principalmente pra quem tem dinheiro (pobre não precisa pensar que você tem bom-humor), faça boas relações, todos sabem que quem tem uma boa agenda de celular, tem tudo... Não procure amizades por grau de afinidade, se você achar alguém que seja parecido com você, fuja dela, ela pode ser um oponente terrível (vide dica 2, se não tiver jeito, pode mandar matá-la. Vai ser um alívio pra muita gente!), tente se aproximar de pessoas que você possa manipular e que lhe sejam fieis (esses servem muito numa eventual e rara complicação com a polícia).
7- Seja caridoso: Afinal aquele que não é caridoso não merece o reino dos céus... Quando você já tiver pelo menos 300 milhões em imóveis, ações, automóveis, jóias e etc. (sempre em dólares, não esqueça), faça um testamento deixando uma razoável quantia pra uma instituição de caridade que deve ser criada após sua morte e com o seu nome (deixe isso por escrito, autenticado em cartório e tudo o mais e de preferência sem que ninguém saiba, pra não ficarem especulando sobre a sua morte), nomeie aquele mordomo que você destratou a vida toda como herdeiro de alguma coisa, deixe algo pra paróquia de sua cidade e seja generoso(a) com sua (seu) viúva (o).
P.S.: Nada de dar nada a ninguém vivo, nem presente de dia das mães (ela vai ficar velha e caduca e nem vai lembrar mesmo)...
8- Essa é a última são três em um: Nunca estude (você vai pagar a pessoas formadas pra trabalhar, então pra que??? Seja esperto, isso vale mais!), não trabalhe, o trabalho foi feito pros pobres, arrisco até a dizer que eles têm predestinação genética pra isso... Não lhes tire a única coisa em que são bons de verdade. E por último, mas não por ordem de importância, curta sua vida jogando na cara de todo mundo tudo que você tem, pise, humilhe, machuque e tudo mais (não tenha medo, você já se garantiu no céu com sua generosidade).

É isso aí meu povo, depois de tudo isso, não vale ter remorso... Esse negócio de peso na consciência é para os fracos... Não pense na eternidade, pois você estará de olhos fechados dentro de um caixão escuro e nem vai ver nada mesmo...
Obs.: Se depois de tudo isso você ainda não tiver sua Ferrari na garagem, então desista. Mate-se que pelo menos na morte a gente esquece (como diz naquela música “Amigo é pra essas coisas”)... Mas não fique triste por não ter dado certo, no Brasil apenas 2% da população vivem dessa forma, o restante é composto por pessoas de classe média alta e baixa (gentalha, mas pelo menos bem educada), e a grande maioria está abaixo da linha da pobreza (arrisco uns 40%, essa gentinha sim deveria sumir do mapa), ou seja, não tem um mínimo de condição de vida, que dirá computador com Internet pra ler esse texto.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Trecho de um trabalho meu sobre Teoria Econômica e Direito

Estado e globalização, duas palavras que juntas conjugam a elasticidade do domínio imperialista. O Estado que deveria proteger a vida, o direito mais básico de todo cidadão, protege o direito de uma minoria. Garante a perpetuação das desigualdades, da miséria ao invés de diminuí-las. Globalização que mundializa o poder dos “globalizadores” em detrimento dos “globalizados”.

O Estado que passa à iniciativa privada suas incumbências, sabendo que a única intenção dos investidores é a maximização dos lucros e não a garantia da dignidade dos detentores dos direitos ou, melhor dizendo, das vítimas dos direitos. Globalização que dissolve no na parte pobre da “grande família global” a AIDS, fome, malária e tantas outras.

Estado que suga dos seus em favor do enriquecimento dos poderosos que mandam e desmandam nos subdesenvolvidos a seu bel prazer. Globalização que torna possível a tomada de empréstimos para que os juros destes sejam pagos com o sangue daqueles que dependem dos investimentos sociais de seus respectivos governos.

Estado que destrói seu mercado interno e faz políticas de produção para o mundo, sem lembrar de suas crianças subnutridas. Globalização que multiplica o número de sites com fotos e propagandas de crianças a serem vendidas, que se submetem a isso para não serem mais crianças subnutridas.

Estado que joga suas crianças de 16 anos em depósitos de “lixo humano” por apertarem o gatilho de uma arma ao assaltar uma família. Globalização que joga ao vento propagandas de tênis e celulares, para somente uma pequena parte poder usufruir desses bens.

Enfim, Estado que cede aos apelos de uma globalização desigual e injusta e globalização que pressiona ao Estados mais fracos a se submeterem ao seu reinado caótico. Estado e Globalização, a dupla conjugação da falta de respeito à dignidade da pessoa humana.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Essa viagem louca da vida...


Pensando em como a gente se preocupa demais com o que não é necessário, e pensando em como a gente acredita que isso realmente tem importância, eu termino me perguntando: onde vai parar essa viagem louca? Nascemos sem escolher, é bem verdade, mas ao nascer traçamos nossos passos... E de repente reparo que os passos de alguns não são tão harmoniosos como o de outros...
Pergunte-se você também, o que leva alguém a realizar uma barbárie tão grande quanto aquela cometida ao pequeno João Hélio de apenas seis anos, não foram somente ele e sua família que foram atingidos, todos nós fomos. Um pouquinho de cada um de nós morreu junto com o pequeno garoto, a quem não foi, sequer, permitido se perguntar aonde iria nessa viajem louca e sem destino.
Eu não sei se minha viajem me levará a algum lugar ou a lugar nenhum, o que eu sei é que se antes alguém guiava esse barco, agora esse alguém tá de folga... Então todos nós somos responsáveis tanto por aqueles que estão afogando os outros, como por aqueles que foram afogados... Culpar o regime, ou o sistema, ou os dirigentes, ou sei lá... a sociedade de proteção às borboletas do Afeganistão é muito fácil, tão fácil que à noite todos dormem sossegados em suas casinhas, enquanto mais Joãos e Marias e Josés morrem... a diferença é que estes são só Joãos, Marias e Josés... Sem sobrenome de rico, sem reportagem noticiando, sem Fátima Bernades nas casas de suas mães tentando aumentar o IBOPE da Globo... Porque esses não tem importância... são Joãos Ninguém...
Esse barco, minha gente, tá perigando colidir... e aí sim reinará a justiça, independente de quantos sobrenomes temos, todos seremos vítimas da mesma tragédia!