segunda-feira, 2 de abril de 2007


O dicionário também prega peças

Insiste-se em dizer que o país apresenta um quadro de corrupção crescente, isso é inverossímil e a seguir a explicação.
De acordo com a quarta edição do Minidicionário Aurélio, de Setembro de 2000, corrupção significa ato ou efeito de corromper, decompor. No mesmo dicionário consta que corromper é o mesmo que deteriorar, decompor, alterar. Isso não ocorre ou jamais ocorreu no Brasil, não houve alterações no nosso sistema, a máquina expropriadora, o Estado, é a mesma, a única mudança foi no sentido dos interesses mandantes. Passamos de uma aristocracia agrária da cana para a do café, e desta para uma burguesia industrial que ainda hoje detém nas mãos a direção do país.
Ainda em concordância com o Aurélio, nota-se que decompor significa separar os elementos componentes. Esta é uma prática tão comum no Brasil quanto achar dinheiro e procurar o dono. Os políticos não se separam, muito pelo contrário, eles se unem para “dividir o Brasil em mil brasis e melhor assaltá-lo de ponta à ponta”, como dizia Zé Ramalho. A unidade entre eles chega a ser tocante, percebe-se que quando um deles é descoberto, uma gama de outros “companheiros” cai junta, unidos na alegria e na tristeza, na eleição e na cassação.
Fica claro, portanto, que o termo corrupção é errôneo para o caso brasileiro. Poderíamos utilizar o termo continuação que resume em seu significado a atual prática política. Continuação dos privilégios, continuação das desigualdades, continuação da exploração do trabalhador, enfim, a continuação de pessoas que, como muitas outras, se recusam a tentar mudar esta situação.

Um comentário:

Simão Vieira de Mairins disse...

Este é do tempo em que certa pessoa ainda sabia sonhar!!!